PREVISÃO JANEIRO 2011

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Para gostar de Ler com Arthur Lucena...

Queridos leitores...
Nao percam a oportunidade de prestigiar este autor brasileiro, que esta iniciando uma jornada dificil, porem encantadora..
Portanto meus queridos aqui vai todos os links de nosso amigo escritor formidável.
Visitem ! Comentem! e compre o seu livro!
Obrigada!

(1º Livro) A Lenda de Avalon - A Espada do Rei:
Vídeo (booktrailer): http://www.youtube.com/watch?v=5wVrcfarFR0&feature=player_embedded
Comentário no meu blog: http://arthurlucena.wordpress.com/2010/11/04/a-lenda-de-avalon-a-espada-do-rei-2/
Link para comprá-lo no Clube de Autores: http://clubedeautores.com.br/book/21183--A_Lenda_de_Avalon__A_Espada_do_Rei
1º Capítulo: http://arthurlucena.wordpress.com/2010/11/10/1%C2%BA-capitulo-a-lenda-de-avalon-a-espada-do-rei/
Comentário no blog "Ei, Olha Meu Livro!": http://olhameulivro.blogspot.com/2010/11/lenda-de-avalon-espada-do-rei.html

(2º Livro) Magic:

Vídeo (booktrailer): http://www.youtube.com/watch?v=kFOpWhzUKxY&feature=player_embedded
Comentário no meu blog: http://arthurlucena.wordpress.com/2010/11/06/magic-uma-envolvente-historia-de-magia/
Link para comprá-lo no Clube de Autores: http://clubedeautores.com.br/book/33238--Magic
1º Capítulo: http://arthurlucena.wordpress.com/2010/11/10/1%C2%BA-capitulo-magic/
Comentário no blog "Ei, Olha Meu Livro!": http://olhameulivro.blogspot.com/2010/11/magic.html

Sobre o autor (Arthur Lucena):

Biografia: Arthur Lucena nasceu em Marialva – PR, em 5 de dezembro de 1994, e atualmente é estudante do Ensino Médio em Maringá-PR. Começou a escrever aos catorze anos, quando publicou seu primeiro romance, entitulado “A Lenda de Avalon – A Espada do Rei”, dedicado aos vinte e cinco anos de casamento de seus pais. Desde então, ele vem trabalhando em outras obras, como Magic. Grande parte dos romances são ficcionais, abordando um dos principais temas do autor: a idade medieval.
Contatos:
Twitter: http://twitter.com/#!/arthurlucena_94
@arthurlucena_94

domingo, 31 de outubro de 2010

Último Capítulo.

                                                                                         Julho de 2008,
                                                                                  “doze anos depois”.

Vocês devem estar curiosos para saber o que pode ter acontecido em doze anos...
Entre tragédias mundiais, atentados terroristas, novos vírus, e países destruídos por tsunamis, tiveram também, superações olímpicas, evoluções genéticas, e avanços tecnológicos sem limites.
Entretanto de tudo isso vocês já sabem então me resta comentar como vão as coisas por aqui hoje em dia.
Por onde começar? Sim, mamãe é um bom começo de conversa, ela se casou novamente, com aquele médico que operou o nariz de Ricardo, o tal Mario, vocês se lembram dele? Ela mora em um AP magnífico em frente ao mar, e tem mais três filhos que veio junto com pacote “casamento”. “Isto já virou motivo de piada entre nós, mamãe e seus ‘presentinhos de casamento”.
Por falar em Ricardo, quer saber? Ele se formou em medicina, se especializou em pacientes com câncer e esta prestes a se casar. Ah! Sei de tudo isso porque ele ainda é o melhor amigo de meu irmão Daniel, que vai ser padrinho no casório, não conheço a noiva. E outra coisa, Daniel e Ricardo ainda pegam ondas juntos todo fim de semana.
E já que mencionamos Daniel, ele continua sendo meu melhor amigo, no momento esta com 34 anos, lindo, rico e solteiro.
Ele é engenheiro em uma construtora de renome. Esta muito feliz com essa vida e acho que não pretende se amarrar com alguém , não antes dos 40! Desde que se separou de Isabela, Daniel não é homem de uma mulher só. Um tremendo galinha, morando em uma bela cobertura num dos edifícios localizado no lugar mais badalado da baixada. Vocês podem imaginar?
Isabela e Daniel terminaram o namoro, assim que ela se formou na faculdade de moda. Sabe o segurança gay da boate que ela trabalhava? Ele arrumou um namorado Frances que descolou um emprego de modista para ela na França. Ela foi seguir seu sonho, sei que esta se dando super bem, esta ainda mais bonita que antes, vive uma vida muito descente como sempre mereceu, e voltas vem ela se encontrar com Daniel aqui no Brasil para matar a saudades dessa história mal resolvida, talvez um dia ainda fiquem juntos.
Bruno e Roberta continuam o casal mais fofo do mundo! Mas agora com duas diferenças, eles se vestem muito bem e tem um garoto beirando doze anos que se chama Gabriel, a peste do meu afilhado é a coisa mais linda do mundo.
Tem os olhos azuis do pai e a é cara da mãe, muito inteligente e não gosta de estudar, mas tira notas altas, felizmente herdou os genes da facilidade de compreensão do padrinho, Daniel, e para alegria do mesmo, Gabriel é tão assanhado quanto o tio, que sente o maior orgulho disso. Gabriel esta deixando os pais de cabelos em pé porque só pensa em garotas e skates, com apenas doze anos, Há uns dias atrás ele foi suspenso por dois dias por ter sido pego mostrando as escondidas, uma revista masculina, aos amigos na sala de aula. Ele não quer dizer quem deu a revista a ele, mas todos nós desconfiamos...
Bruno e Roberta trabalham comigo, na agencia publicitária de meu sogro, uma das maiores agencias do litoral, Bruno e Junior trabalham no setor da computação gráfica, Roberta faz e dirige a equipe de fotografia, e eu dirijo a redação. Somos uma equipe e tanto. Acabei ficando mais próximo de meu irmão do que podia se quer imaginar.
Eu e Arthur nos casamos em novembro de 1999. Temos um cão que se chama Dartanhã, um gato com o nome de Galahad e uma filha maravilhosa chamada Helena, como Helena de Troia. Ela é muito parecida comigo, em todos os sentidos, e acaba de completar oito anos. E se dá muito bem com o primo mais velho.
Certo dia, estávamos todos em uma pizzaria, quando Gabriel comentou em bom som para quem quisesse ouvir, que quando Helena crescesse eles dois iriam se casar.
Bruno quase surtou “vocês são primos” eles gritava com o moleque puxando a orelha dele e dizendo que ficaria uma semana sem o skate por conta do comentário.
Helena defendeu Gabriel, enfrentando o padrinho.
- Não somos primos de verdade, se eu quiser me casar com Gabriel quando eu crescer vou casar e pronto.
Graças a Deus Juninho não se deixava levar pelas idéias conservadoras sem fundamento de Bruno, e nem para os comentários da imaginação das crianças.
- Bruno! Relaxa! Eles são duas crianças, nem trocaram os dentes de leite ainda! Alem do que, não conhece o ditado ‘o futuro a Deus pertence’. O que tiver que ser vai ser...
Eu o amava ainda mais por isso... E por falar em amor.
Bernardo e Carol posso presumir que já conheceram o mundo de tantas viagem que fizeram, nos encontramos esporadicamente, geralmente Bernardo vem passar seus aniversários com a família como sempre fez, sei que ainda pode ter sonhos, mas nunca mais soube se eu fazia parte deles.
O que posso dizer com certeza é que Bernardo e Carol estão felizes, especialmente esse ano com a chegada dos gêmeos Rafael (homenagem ao papai) e Miguel (homenagem ao pai dela).
Não posso esquecer-me de mencionar especialmente o garoto Caio, hoje ele quem vive seus vinte anos de idade. É um belo rapaz, de QI altíssimo, carrega nos olhos certo sofrimento, mas hoje vive como um jovem qualquer com suas historias de alegrias e decepções. Ele acaba de escrever seu primeiro livro, de titulo “O menino que não queria sonhar”. E continua a cada dia nos dando uma lição de força e superação.
Tudo que posso dizer é que se a vida for uma trilha sonora, nosso repertorio familiar mudou para o que pode existir de mais feliz e animado.
Às vezes eu gostaria de voltar a ter meus vinte anos com a maturidade experiência dos trinta. Mais fico pensando que essa maturidade impediria toda intensidade com que se vive aos vinte.
Nada mudou, fisicamente, talvez...
Mas o que quero dizer é que sentimento não envelhece, apenas refina... fica mais saboroso a cada dia que passa. Porque fica mais fácil de decifrar.
Meu coração continua tendo seus compartimentos, e um deles sempre será reservado em especial a Bernardo, mas garanto, que um muito maior e mais profundo. Esta meu verdadeiro amor Arthur Junior.
O amor que a este momento me espera para saborearmos uma taça de vinho juntos a sombra de nosso trisquel pintado na parede de nosso quarto.
O símbolo da continuidade da vida e do crescimento espiritual.
Caros amigos esse convite de amor, me faz definitivamente encerrar nossa conversa.
                                                                      Angelina, julho de 2008.

sábado, 30 de outubro de 2010

Capítulo 22

Novembro de 1996,
                                                                                           formatura                                   
Toc. Toc.
Eu entrei observando Bernardo em frente ao espelho ajeitando sua gravata.
- Nossa você esta estonteante! Ele se virou falando.
- Você também fica um charme a rigor.
Eu estava vestida com meu longo azul, deixava meus ombros à mostra, e caia em um tecido leve que dava movimento ao andar.
- Só vim conferir se você estava realmente nos conformes, afinal hoje é seu dia.
Ele sorriu correu me abraçou e começou a girar no meio do quarto dançando comigo, e cantarolava uma valsa tipo TAMM TAMM TAMM TARARARARA’’.
- Pare com isso Bernardo. Eu ria. Vai amassar meu vestido.
Ele me soltou ainda sorrindo.
- Vou sentir sua falta. Eu falei.
- Vou voltar para meus aniversários como sempre fiz. E agora que Bruno decidiu ficar de vez no Brasil, vai ser melhor.
Nesses últimos meses aconteceram tantas coisas...
Só para inicio de conversa eu estava empregada em uma agencia de publicidade do atual namorado e futuro esposo de Rose, minha querida e mega moderna sogra.
Em breve teríamos um bebê em nossa família, não se assustem, não fui eu quem vacilou desta vez. Roberta e Bruno quem foram abençoados com a chegada de um bebê. Ninguém me tira da cabeça que essa gravidez foi ligeiramente planejada, mas os dois afirmam que foi um acidente de percurso. Ela esta com três meses de gestação, foi hilário quando eles dois chegaram em casa para contar a novidade. Mal abriram a porta e já estava todo mundo reunido correndo para abraçá-los e beijar a barriga de Roberta, sem que eles contassem a novidade. Os meninos gritavam e levantavam Bruno para o alto enquanto ele bravo dizia;
- Não acredito Bernardo, como você estraga prazeres! Contou antes de nós! Não da pra fazer surpresa nesta casa?
Eu nunca vi Bruno tão feliz.
Verônica finalmente recebeu a guarda definitiva de Caio. Ele voltou a falar dois meses depois da nossa visita a Brasília. Assim que Caio recuperou a fala, Bernardo e Carol o trouxeram para passar uma semana aqui na baixada, e imagine só Caio e Juninho praticamente se adotou, Caio contava os minutos porque Juninho levava o garoto todas às noites para a pista estrear o skate novo que ele ganhou de Bruno na promessa. Quem não gostava muito dessa historia era Bernardo, que fazia cara feia toda vez que meu namorado chegava para buscar o garoto, eu tenho certeza que Juninho só levava o garoto para a pista, já que existe mais de mil lugares para se praticar skate, porque sabia que Bernardo não seria maluco de aparecer por lá. Os dois amavam o menino, mas se detestavam na mesma intensidade.
A parte ruim dessa história era que Bernardo, Carol, Caio e Verônica estavam de partida para a Espanha, logo após a formatura, e era definitivo, Caio já estava matriculado na escola e todos os outros com empregos garantidos.
- Eu não queria que fosse embora Bernardo, vou sentir sua falta.
- Eu também vou sentir a sua Nina. Odeio dizer isso, mas o insuportável do seu namorado vai cuidar bem de você.
Ele me deu um abraço apertado.
- Bernardo, eu queria te dizer uma coisa antes de ir...
- Então, diga Nina.
Eu disse frase por frase pausadamente.
-Obrigado por tudo que fez por mim. Obrigado por um dia ter salvado minha vida. Obrigada por me mostrar o quanto essa família é importante para mim, obrigado por confiar em mim, obrigado por me ensinar que a vida é feita de escolhas.. Você é muito mais que um irmão para mim Bernardo. E sempre estará guardado no meu coração de uma forma que ninguém mais poderá preencher. Eu sempre te amarei, mas agora eu aprendi como é esse amor, esse é um amor diferente.
Ele sorriu para mim e disse:
- Eu sei do que você esta falando Nina, Eu te amo demais como homem para ser seu irmão, e ao mesmo tempo sou seu irmão de mais para te amar como homem. É assim que me sinto.
- Finalmente entramos em um acordo. Eu sorri para ele.
Então ele me deu um beijo, não um beijo de amor, um selo demorado na boca, o selo que selou nosso passado de uma vez por todas.
E assim acabamos todos na pista de dança na formatura de meu “irmão mais velho”.
Eu dançando com meu namorado Arthur Junior, Bruno e Roberta, Daniel e Isabela, Bernardo e Carol, Verônica e Caio, mamãe e... Um garoto de aparelho nos dentes acho que era um paciente dela.
De tudo que se passou nesses últimos meses, eu só tinha uma certeza, Arthur estava se tornando cada vez mais meu Sol, meu ar, minha razão de viver... Meu eterno e verdadeiro amor.

                                                                                           

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Capítulo 21

Quando chegamos a São Paulo, Daniel e Roberta estavam nos esperando.
- Você teve coragem de ficar sozinha no carro com Daniel? Não acredito Roberta! Bruno falou rindo.
- Tirando que ele ficou olhando pros meus peitos enquanto eu dirigia da baixada até aqui. O resto foi tudo bem.
- Ei! Eu não fiz isso!
Todos riram.
- Brincadeira ele se comportou direitinho.
- Bom, vocês não imaginam o que temos para contar, eu disse, ainda bem que temos uma hora de viagem de carro pela frente...
Chegamos em casa por volta das sete da noite. Eu estava cansada, mas mesmo assim queria falar com Juninho sobre nós dois de uma vez por todas, resolvi tomar um banho e ir até a casa dele. Eu não sabia se ele queria me ver, ou falar comigo, e nem se estaria em casa, ele ainda não tinha um novo celular, então resolvi arriscar.
Subi os quarteirões até a casa dele sentindo um frio na barriga. Toquei a campanhia, a mãe dele atendeu.
Ela estava muito bem vestida, parecia que ia para algum evento.
- Nina, quanto tempo! Como você esta linda!
- Obrigada senhora Rose.
- Me chame de Rose ou me sinto velha.
- Não você esta linda, e esta muito bem arrumada hoje.
- É que vou sair com meu namorado. Mas se o Arthur perguntar fui a um jantar de negócios, Ok? Ela piscou para mim.
- Sem problemas. Ele esta?
- Sim ele esta no banho, estava fazendo Cooper na praia acabou de chegar tem uns dois minutos. Venha entre.
Eu a acompanhei para dentro da casa.
- Soube que Arthur se pegou com seu irmão mais velho. Eu quase matei ele! Isso é jeito de começar um namoro?
Eu fiquei corada.
- Não foi culpa dele, Rose. Bernardo já se arrependeu, isso não vai mais acontecer.
- Não deve brigar com seu irmão por causa disso, irmãos mais velhos morrem de ciúmes. E te digo mais, filho também, Arthur está louco da vida porque descobriu que eu estou namorando acredita?
- Que bobeira, prometo tentar falar com ele.
- Ah, eu iria amar se fizesse esse favor. Agora vá suba, eu não quero que ele me veja assim, estou bonita, não estou?
- Acho que esta linda. Eu falei sinceramente.
- Ótimo, o quarto dele é a primeira porta a direita.
- Tem certeza que posso subir?
- Ah Nina! Sou uma mulher moderna, quem gosta de coisas velhas e baboseiras medievais aqui é seu namorado que puxou do pai. Graças a Deus evoluímos!
Eu fiquei meio sem jeito, mas acabei subindo. Bati uma vez na porta mas só por precaução, porque estava ouvindo o barulho do chuveiro ligado, e sabia que ele ainda estava no banheiro. Fiquei em duvida entre sentar e esperar no corredor ou entrar no quarto. Resolvi entrar e deixar a porta bem aberta e a luz acesa para ele perceber a presença de alguém.
O quarto dele era simplesmente único, contrastava com toda modernidade daquela casa.
Tinha uma cama grande, mas o que chamava atenção era o que estava em seu criado mudo, um Dragão de asas abertas com uma mulher fada montada, ela segurava uma bola de fogo erguida no alto. Na verdade era uma bola de vidro que emitiam luzes no seu interior com cores fortes como as do fogo. Era uma espécie de abajur diferente.
A estante de livros que Junior tinha era um sonho de consumo, tinha livros de todos os tipos, e percebi que estavam por ordem de assuntos.
Ao lado oposto da estante, havia uma escrivaninha com um computador dos mais modernos e como se as gerações se confrontassem ao lado da tela havia um Elmo prateado, com uma crina brilhante. Eu nunca tinha visto uma relíquia daquelas ao vivo, nem sabia que existia um dessas fora de um museu. Na parede acima posicionadas na horizontal, havia duas belíssimas espadas, uma forjada em prata e a outra em dourado, tive vontade de pegar uma delas só para sentir o peso, mas tive medo de derruba- la.
Ao lado da cama dele tinha um pufe, confortável em couro que exibia costuras grosseiras como se fossem remendos. Ao pé da cama um lindo baú de madeira com símbolos medievais entalhados, em cima do baú com as rodinhas para cima estava se skate.  Tudo lá dava um ar medieval com um toque de século XXI.
Mas o que mais me chamou atenção foi na cabeceira da cama um enorme trisquel negro, que com certeza foi muito bem pintado a mão ocupando quase toda parede.
Na estante de livros que ficava em frente à porta do lado oposto do quarto tinha uma replica de uns cinqüenta centímetros de Rei Arthur montado em seu cavalo empinado. Passei delicadamente os dedos na cabeça do cavalo.
- Lanrey!
Eu assustei, droga ele sempre chega de mansinho.
- O que? Eu me virei para olhá-lo.
- Alguns, dizem que o cavalo de Atrhur se chamava Lanrey, e foi presente de Lancelot.
Meu Deus Do Céu! O que era isso na porta do quarto! Era Arthur ou um Deus Grego!
Ele estava parado em pé encostado no batente da porta, com os pés descalço, e usava apenas uma calça preta larga de moletom. Que corpo era aquele! Aquele corpo magro de musculatura definida que se escondia em baixo das camisetas largas, estavam lá para quem quisesse tocá-las, ou seja, eu. Seu cabelo molhado desfiado e bagunçado dava um charme selvagem.  Ele fechou a porta do quarto e tornou a encostar na porta agora fechada.
- Gosta de cavalos? Eu perguntei, porque vi um poster de cavalos selvagens atrás da porta escrito.
“força sem violência.
Beleza sem vaidade.
Amor sem limite...”
E também porque eu não sabia o que falar, e acabava falando qualquer coisa que me viesse à ponta da língua.
Eu estava com vergonha de olhar para ele, ele parecia tão sexy, tão bonito, tão desejável. Desviei o olhar para o trisquel pintado na parede.
- Não estou conseguindo acreditar que é você ai parada no meu quarto. Estou até com medo de me aproximar e você desaparecer, e eu perceber que fiquei louco de vez.
Então eu sorri e fui me aproximando, lentamente. Ate ficar quase grudada com seu corpo.
- Eu não vou desaparecer! Eu falei baixinho.
E olhei de perto para seu rosto e...
- Meu Deus Ju seu olho direito esta roxo! Ele te acertou? Quando eu fui tocar o seu rosto ele segurou minhas mãos no ar e levou aos lábios beijando.
- Eu... Eu queria...
Ele não deixou eu terminar a fala e me puxou contra o corpo dele.
- Só queria explicar...
Ele então me calou de vez com um beijo de tirar o fôlego, me envolveu em seus braços me apertando com todo desejo que um homem pode sentir, senti seu corpo esquentar e o meu responder, ele me levantou do chão e me levou para sua cama sob o olhar do Trisquel. E deixamos a conversa para bem... depois.......porque esta noite não existiam palavras só existia amor...

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Capítulo 20

- Não gostou da janta Nina? Quer alguma coisa diferente? Verônica perguntou, quando reparou que eu não estava comendo.
- Não Verônica, é que estou sem apetite.
- Aposto que comeu as bobagens que servem no avião. Não foi?
- É exatamente.
Na verdade aquela conversa anterior tinha me deixado completamente enjoada, me fazendo perder o apetite. Eu estava com uma tremenda dó do garotinho, e Verônica tentava agradar de todas as maneiras.
- Pretende voltar à Austrália Bruno? Ela perguntou.
Como ele não respondia eu cutuquei Bruno por debaixo da mesa.
- Sim, logo após a formatura de Bernardo.
- O seu emprego está garantido, até lá?
- Eu pedi às férias que tinha por direito.
- E Daniel como está?
Bruno respirou fundo, soltou os talheres e respondeu sem alterar o tom de voz.
- Olha Verônica, não precisa forçar tá legal, se tivesse a fim de saber como Daniel está teria dado um telefonema a ele, ou mandado um e- mail nesses últimos 20 anos.
- Desculpe Bruno, eu só...
- Sério, não precisa fingir que gosta de mim, vai me poupar de ter que fingir que eu gosto de você. Então, vamos encarar essa situação como se fosse um assunto profissional, tá legal assim?
- Claro filho me desculpe.
- Pode me chamar de Bruno.
Eu tive vontade de acertar um tapa na orelha de Bruno, como ele pode ser tão grosso? Ele nunca foi de dar esses tipos de resposta! E Bernardo porque não falou nada? Ele deveria ter defendido a mãe das grosserias de Bruno. Então percebi que a Sonsa segurava a mão de Bernardo, e o encarava parecendo imobilizar seus sentidos, Ela impediu que Bernardo reagisse a favor da mãe só com um olhar! Controladora miserável!
- Bom, eu lavo a louça! Foi só o que eu consegui dizer, levantando da mesa.
Bernardo se levantou sério e disse:
- Bruno, pode me ajudar com os colchões? Vamos colocar no chão da sala para você e Nina dormirem.
Caio saiu atrás dos dois para ajudar. E meu celular tocou.
- Mãe? Oi tudo bem? Sim chegamos bem...
- Como sabe que Verônica esta aqui?
- Tá legal eu mando o beijo sim.
Eu coloquei a mão no bocal e falei baixinho.
- Depois te conto tudo, mas só pra te adiantar isso aqui tá cada vez mais perto de parecer um filme de terror... Então vi a Sonsa me encarando, e voltei a falar normalmente. Tá legal mãe tenho que desligar beijos.
- Vou pegar uns lençóis limpos e travesseiros para vocês. Verônica falou desanimada, e saiu.
- O que esta me olhando Carol? Não é por nada mas odeio que me encarem.
- Desculpe, só estava imaginando se posso confiar em você?
- E porque confiaria em mim? Nem me conhece direito.
- Acho que está errada quanto a esse ponto. Infelizmente eu conheço você mais do eu pudesse desejar ou fosse do meu agrado, mas não estou aqui para revidar suas grosserias comigo.
- Então o que quer de mim? Para que precisa confiar em mim?
- Nina, o que você vai presenciar essa noite, envolve uma série de questões. E uma delas é o fato de você entender o que acontecia com Bernardo. Ele te trouxe até aqui e está expondo a vida desse garoto e a dele também. Só para que você realmente o perdoe. Acha que vai deixar de ser essa pessoa infantil por um momento e realmente perdoar, do fundo de seu coração?
- Acho que isso é um problema que eu e Bernardo vamos resolver juntos e acho que você não tem nada que se meter nisso. Você esta fora dessa história.
- Tenho sim, porque eu amo Bernardo do fundo da minha Alma. Eu sei que isso está deixando ele profundamente magoado, ele tem esperança que você possa realmente entender, você é muito importante para ele. Eu não quero que Bernardo sofra. Quero ele feliz, e é ai que eu entro nessa história.
- Você é mesmo uma Sonsa, se quer meter o bedelho em algo, porque tentou impedir Bernardo de defender a mãe agora a pouco. Ele ficou chateado com isso também. O fato é que você quer se meter entre Eu e Ele!
- Isso foi um assunto de mãe e filho, Bruno e Verônica têm que resolver suas diferenças sozinhos, e não seria nada bom o menino presenciar uma briga entre os dois irmãos.
Eu parei de lavar a louça e mostrei meu dedo médio para ela.
- Só espero Nina, que deixe de ser infantil, e possa perdoar Bernardo para ele tirar esse peso do coração, o resto pode deixar que eu agüento! Ela se levantou e saiu da cozinha.
Eu estava exausta, irritada, mas terminei toda louça quando fui para sala, estava tudo pronto. A mesinha de centro tinha sido afastada e colocaram dois colchões no meio da sala para eu e Bruno dormir.
Pedi licença para utilizar o chuveiro e quando voltei Bruno já estava dormindo, ou melhor, capotado. As luzes estavam apagadas e somente a TV ligada iluminava a sala, não queria incomodar Bruno então resolvi não acender nenhuma luz, aproximei minha mochila próxima a TV, para pegar uma meia. Aqui fazia mais frio do que eu era acostumada, depois de me sentir agasalhada e aquecida apaguei a TV e me deitei, num sono profundo e cansado.
Já devia passar das três da manhã, quando eu ouvi um choro alto de criança e algumas vozes distantes. Imaginei que tivesse esquecido a TV do meu quarto ligada, até que me dei conta de onde eu estava, E o que vim fazer.
Levantei-me correndo, assombrada com o choro agonizante que ouvia, Bruno já não estava mais do meu lado, então eu fui lentamente ao dormitório aonde vinham as vozes. Antes de eu entrar no quarto, Bruno saiu de lá me dando um encontrão.
- Eu não quero ver, aquilo tem que parar. Ele estava pálido. Então ele saiu e eu entrei, e a cena não era nada convidativa.
Verônica estava junto à cabeça do menino com uma compressa fria. Carol estava ao lado segurando a mãozinha do garoto e murmurando algo.  Bernardo estava inclinado no peito do garoto, abraçando e pedindo para ele tentar se acalmar. Que tudo isso iria passar.
- Vai passar eu prometo! Você vai ver Caio vai passar.
Eu me aproximei, perto da cama, o garoto parecia acordado seus olhos estavam bastante arregalados.
- Ele esta acordado? Eu perguntei a Verônica.
- Não ele esta em como se fosse uma transição entre real e sonho.
Eu olhei mais de perto.
- Verônica os olhos dele, parece ter mudado de cor.
Os olhos azuis índigo do menino, estavam um azul quase noite.
- Isso se chama manifestação física, é muito comum, geralmente quando se dá a visão os olhos escurecem um pouco, com Bernardo também acontece.
Aquelas palavras me fizeram gelar, Bernardo também sofria assim, ele não tinha sonhos repetitivos, mas tinha o de premonição simultânea. Lembrei dos olhos deles quando me contou seu sonho recentemente. Como eles suportavam isso, Ele viu o acidente de Rafael, ele viu Daniel se afogar, viu aquele homem tentar me violentar, eu não podia entender antes até presenciar aquele sofrimento do menino que agora tossia muito e. sofria todo dia a morte dos pais..
- Faça isso parar...
- Se acalme Nina, ele já vai voltar. Carol falou.
- Pelo amor de Deus esse menino vai morrer ele precisa de ajuda.
- Estamos aqui para ajudá-lo Nina.
Então Bruno que havia voltado me tirou lá do quarto.
- Beba essa água vai se sentir melhor.
- Bruno, eu vi o terror nos olhos dele, como pode ser isso?
- Eu sei Nina, também vi. Já vimos o que podíamos não vamos mais entrar lá.
Depois de um tempo quando tudo pareceu mais calmo. Apenas Bernardo saiu do quarto e veio nos encontrar.
- Caio esta dormindo, agora esta tudo bem.
- O que vai acontecer com o garoto? Eu perguntei.
- Quase a mesma coisa que aconteceu comigo, ele vai crescer esse sonhos vão mudar, ficar diferente, mas não sei ao certo como vai ser com ele. Ele se recusa a falar. Carol esta trabalhando nisso, E minha mãe adquiriu muita experiência esses anos todos, ela vai poder ajudar muito.
- Como você passou por tudo isso sozinho, Bernardo? Bruno falou, - Quero dizer, eu vi o estado daquele garoto, e vocês estavam ao lado dele ajudando, mas e você?
- Caio é uma criança Bruno, eu tive uma infância muito feliz, nunca tive um trauma só sonhos bons, Um adulto consegue discernir o que é visão e o que é real, torna mais fácil o controle pós - visão, para mim do que para ele que é só uma criança.
- Mesmo assim isso dá medo.
- Vocês me entendem agora? Desculpe fazer vocês vir até aqui, ver isso, mas era o único jeito para fazer vocês entender um pouco.
- Eu estou envergonhada, por te acusar Bernardo.
- Não, não quero que fique. Eu só quero que saiba, eu não sei como vai ser, não sei se vou vivenciar esses sonhos outra vez, ou se isso já passou, não posso garantir nada, só quero que saiba que a culpa que isso provoca é tão real quanto os sonhos.
- Eu entendi, e juro, Se isso voltar e você precisar que eu te ajude de alguma forma, pode me pedir, você não precisa se esconder estarei do seu lado nessa, se não quiser falar mais sobre isso, nunca mais vou te perguntar, vou respeitar vai ser como você decidir.
Ele me abraçou.
- Não sabe como é bom ouvir isso de você.
Então ele se virou para Bruno.
- Sei que nunca gostou disso tudo, mas veja o lado bom, apesar de sermos irmãos não temos que dividir esse dom. Agora entende como Verônica acabou me ajudando muito?
- Eu entendi, retiro tudo que já joguei na sua cara.
Os dois bateram as mãos.
- Bruno só mais uma coisa. Não seja tão ríspido com a mamãe. Ela errou com você e Daniel. Mas é uma pessoa maravilhosa e está fazendo de tudo pelo garoto. Às vezes eu a pego chamando Caio de Bruno ou Daniel. Ela sofre muito pelos seus erros passados, você não precisa lembrar isso a ela.
- Vou me esforçar.
- É um bom começo.
- Bernardo, acho que eu e Bruno podemos ir embora amanhã, desculpe mas acho que não quero ver isso de novo.
- Tá legal, mas almocem amanhã com a gente.
                          
Na manhã seguinte Caio Bernardo e Bruno, saíram para andar de skate.Eu acordei com uma tremenda enxaqueca, tomei um analgésico, mas não consegui acompanhar o passeio dos garotos e fiquei parte da manhã deitada por conta disso. Mas assim que melhorei me levantei e fui ajudar Carol e Verônica com o almoço.
- Ah querida você melhorou? Verônica perguntou.
- Graças a Deus! Achei que minha cabeça fosse explodir!
- Sente aqui e não abuse se não ela pode voltar. Ela puxou a cadeira para eu me sentar.
- Bom está tudo quase pronto. Vou buscar um refrigerante no bar da esquina. Vê se presta atenção no arroz Carol.
Verônica passou por mim e cochichou.
- Amo esta garota, mas ela é péssima cozinheira.
Carol que estava na pia tirando a louça da frente exclamou!
- Eu ouvi isso sogrinha querida!
Elas riram e Verônica saiu. Carol sentou-se à mesa comigo ainda rindo.
- O pior é que ela está certa, Nina, eu odeio cozinhar. Você cozinha bem?
- Não, eu sou a pior lá de casa. Eu ri também.
Então achei que chegou à hora de me desculpar. E fiquei séria novamente.
- Carol, desculpe ter sido tão boba com você. Ontem vi você é uma pessoa forte e saberá compreender Bernardo melhor que ninguém.
Ela também ficou séria.
- Sabe, Nina, não vou ser falsa com você, você é minha maior rival, meu ponto fraco nesta história toda, se eu disser que gosto de você ou vice versa, vamos mentir, mas acho que podemos ser maduras e tentar agir como adultas, já que você faz parte da família e nosso convívio vai ser inevitável.
- Eu concordo com você em tudo que disse, pretendo realmente mudar Carol, e rápido.
- Não importa a velocidade que se muda Nina, o que importa é o caminho que se escolhe.
Eu apenas respondi com um sorriso.
- Droga Nina, queimamos o arroz!
Era obvio que Carol era muito mais que eu podia imaginar, começando pelo fato de ela não ter nada de sonsa, pelo contrário, era inteligente demais e usava isso a seu favor, e para completar era corajosa e determinada, enfrentava tudo em nome do amor que sentia por Bernardo. O fato de ela ajudar o menino na hora de sua crise, me fez perceber porque Bernardo apostava suas fichas nela.
Tivemos um almoço sossegado, Bruno já não estava sendo grosso com Verônica, mas também não puxava nenhum assunto se limitava a responder educadamente. Mesmo ele estando indiferente eu senti que ele balançou em relação a ela com toda essa história.
- Bom, esta na hora de irmos, não queremos perder o avião.
Caio correu para abraçar Bruno, eles se identificaram um como outro, fisicamente pareciam irmãos.
- Moleque você vai ficar fera no skate, é só treinar.
Ele consentiu com a cabeça.
- Promete me escrever uns e-mails?
Ele balançou a cabeça de novo.
- Olhe só se você se esforçar com o tratamento, e voltar a falar eu prometo te dar um skate novo e venho entregar pessoalmente! E mais fico o fim de semana inteiro!
O menino pulava feito louco dando soquinhos pelo ar.
- Acho que isso pode funcionar! Carol falou erguendo as sobrancelhas.
- Caio e o meu beijinho? Eu falei.
Ele correu me deu um beijo na bochecha e ficou vermelho.
- Opa assim vou morrer de ciúmes! Carol falou!
Ele correu para abraçá-la.
Então voltamos para São Paulo naquele dia.
- Nina.
- Que?
- Continuo acreditando naquela historia de papai mexendo os pauzinhos lá do céu.
Eu ri e disse.
- Pode acreditar, e algo me diz que eu preciso procurar seu amiginho malvado Arthur Junior assim que eu botar os pés na Baixada.


domingo, 24 de outubro de 2010

Capítulo 19


Na manhã de domingo, minha mãe estava soltando fumaça pelas ventas. Ficamos quase uma hora ouvindo o sermão.
- Agora, se souber de mais uma confusão arrumo minhas malas, e vocês que se virem... Blá Blá Blá... etc. – Fui clara?
- Sim mãe. Respondíamos em couro.
-Agora vou trabalhar, volto para o almoço.
Então ela saiu chateada, posso imaginar, ela estava insegura com todos esses problemas.
- Eu vou ver Bela! Finalmente, ela não trabalha hoje graças a Deus!
- Mande um beijo para ela!
- Tá parecendo que eu briguei?
-É o lábio ainda tá um pouco inchado, mas é o ombro te denuncia!
- Droga, Ela vai me matar! Bom nos vemos mais tarde!
- E você Bruno vai sair?
- Só depois do almoço.
- Vai ver o Junior?
- Não, vou ver a Roberta mesmo.
- Se por acaso encontrá-lo, diga para atender minhas ligações, eu também tenho motivo para ficar chateada com ele.
- Ele não vai atender.
- Por quê?
- Ele perdeu o celular ontem.
- E na casa dele? Ninguém atende.
- Eu não sei.
- Você podia ir lá agora de manhã, ver se ele pode falar comigo?
- Não vou deixar você e Bernardo sozinho, pode esquecer.
- Brunooo. Se liga eu não estou falando que quero resolver as coisas com Junior...
Bernardo estava me encarando o tempo todo, então falou.
- Nina, posso te pedir uma coisa?
- Pode.
- Vamos comigo hoje para Brasília?
Eu até engasguei a torrada.
- Eu? Fazer o que?
- Ela não vai, nem pensar!
- Pare com isso Bruno. Ouça Nina, quero te mostrar algo realmente muito importante, ou nunca pediria isso a você, são só dois dias no maximo.
- Ela não vai sair daqui sozinha com você. Eu não sou idiota, e também não vou esquecer a ceninha dos dois. Se você for, Nina, não conte mais comigo pra nada.
- Ele não confia mais em nós, eu não vou Bernardo.
- Eu juro que é muito importante, Bruno, não é uma coisa que se pode contar, ela tem que ver com os próprios olhos.
- Se ela for, eu vou junto.
- Ótimo, vai ser bom para você também!
- Então ta vamos nós três.
Conseguimos embarcar só no fim da tarde, mesmo saindo de Santos 2h depois de termos decidido ir.  Quando chegamos Carol estava com um carro nos esperando no aeroporto.
- Então aonde vamos nos hospedar, vai ser no mesmo hotel que vocês? Bruno perguntou.
- Eu não me importo de ficar no mesmo quarto que Bruno.
- Nem eu. Posso ficar com a Nina.
- Não estamos em hotel, estamos na casa de uma grande amiga, Carol respondeu. – Ela vai ficar muito feliz em receber vocês.
- Eu conheço? Bruno perguntou.
- Sim, Não tanto quanto deveria, mas sim, espere chegar lá.

Era um apartamento simples, com apenas dois dormitórios. Parecia tudo novinho, com poucas mobílias, dando impressão de que ainda estava sendo decorado.
- Sentem-se, vou chamá-los. Bernardo falou.
Bruno e eu nos sentamos no sofá e Bernardo entrou em uma a porta a nossa frente. Ficamos esperando as tais pessoas misteriosas.
Carol ficou em pé ao nosso lado, e Bernardo foi a primeira pessoa a sair, dando a mão a um garotinho de uns oito anos. A principio me assustei e olhei para Carol. Será que Bernardo tinha um filho? Mas logo surgiu uma terceira pessoa atrás, uma mulher que fez o rosto de Bruno empalidecer... Era Verônica.
Eu segurei a mão de Bruno, Eu sabia que ele não suportava Verônica e nem falava com ela. Acho que nunca conversaram, Ele nunca perdoou a mãe, mas a questão naquele momento, não era Verônica, mas o menino..
Ele era muito parecido com Bruno e Daniel de criança cabelinhos negro, olhos azuis, alto e magrinho. Eu falei:
- Eu não sabia que vocês tinham um irmão!
-Nem eu! Bruno falou.
- Ele não é nosso irmão Bruno.
Eu gaguejei.
- Ele... Ele é seu filho?
- Não Nina nada disso, Mas me sinto responsável por ele. É pode dizer que eu o adotei. né Caio?
O garoto fez que sim.
- Venha Caio vou te apresentar. Esse é meu irmão mais novo que te falei o Bruno.
O menino esticou as mãozinhas.
- Ele é o cara que manda super bem no skate. Lembra que eu te contei?
O garoto fazia sinal positivo com as mãos e sorria muito ansioso.
- Vou pedir pra ele te ensinar umas manobras ta legal?
Ele balançava a cabeça dizendo sim. desesperadamente.
- Esta é minha irmã Nina.
- Oi Caio, eu falei dando um beijinho no rosto dele.
Ele olhou para Bernardo.
- Ela é uma gata eu sei, mas tira os olhos dela ou vai ter que se entender comigo e com o skaitista ali.  Bernardo brincou com o garoto. Que bateu no peito como para enfrentá-lo.
- Ele é tão lindo, parece com você de pequeno Bruno! Eu falei.
- Eu sei, não estou entendendo nada. O que Verônica esta fazendo aqui? E quem é esse menino?
- Oi filho? Verônica deu um aceno tímido, mas não arriscou mais que isso.
- Oi Verônica. Ele respondeu de mau humor.
- Relaxa Bruno. Eu falei baixinho.
O garoto correu para dentro e voltou trazendo o skate dele para mostrar a Bruno.
Bruno apesar de tenso se derreteu pelo menino tentar agradá-lo.
- Que legal carinha! Maneiro. Caio é o seu nome né?
Ele afirmou com a cabeça.
- Aqui em Brasília tem muito lugar pra andar, pode me levar amanha conhecer algum? Posso te ensinar umas manobras.
O menino até se ajoelhou de tanta felicidade.
- Caio, Que tal você, a mamãe e a Carol ir preparar o jantar? Nós estamos famintos.
- Venha querido vamos para a cozinha você pode me ajudar com os pratos? Verônica falou.
Então os três nos deixaram a sós para conversar. Bruno quem começou.
- Então quem é o garoto? E ela ta fazendo o que aqui no Brasil? Em Brasília?
- Ele é mudo Bernardo? Ai ele tão fofo.
- Eu não sei por onde começar a falar, mas vou tentar. Verônica esta aqui, morando em Brasília há um ano.
- Isso explica ela chegar a tempo do enterro do papai, mas a troco de que Verônica esta morando em Brasília? Bruno perguntou.
- Ela esta lutando pela guarda do Caio. Quer adotar o garoto.
- Isso é uma piada Bernardo? Todo mundo aqui sabe que ela não é nenhum exemplo de mãe, ou só eu percebi esse detalhe?
- As pessoas mudam Bruno, E às vezes querem corrigir os erros do passado fazendo algo de bom nessa vida. Caio precisa dela agora muito mais do que você precisou em toda sua vida.
- Eu nunca precisei de Verônica! Que se dane.
- Nunca precisou dela por que tinha papai, Denise, Eu, Daniel e Nina. Mas Caio não tem ninguém.
- Ele é órfão Bernardo? Eu perguntei.
- Nina, Caio tem apenas oito anos e já sofreu o trauma mais intenso que você possa imaginar.
- O que aconteceu ao garotinho?
Bernardo se sentou de frente para mim, na mesinha de centro. Segurou na minha mão e disse:
- Caio tem sonhos premonitivos assim como eu. Verônica mantinha contato com a mãe do garoto desde que ele tinha cinco para seis anos, Ela foi encaminhada para ser orientadora do garoto, que já fazia parte de um projeto social. Ele morava em uma favela chamada Favela Estrutural, que fica no Distrito Federal, o instituto que fornecia serviços de saúde e a psicóloga inicial que diagnosticou os sonhos recorrentes entrou em contato com Verônica, que decidiu ajudar com sua experiência. Verônica ajudava não só o garoto como sua família a lhe dar com esse dom, se podemos chamar isso de dom.
- Enfim, ele estava com sete anos morava com os pais e a irmã caçula de dois, então...
- Então o que Bernardo?
- Nina eu só estou te contando isso, porque sei que ainda não me perdoou pelos sonhos que tive com você.
- Eu já disse que perdoei. Foi sincero.
- Não, não foi. Quando eu perguntei se você estava namorando com o Junior você se lembra como me respondeu? Você sente raiva disso e agora vai ver que é mesmo impossível controlar... Bom deixa pra depois.
- Me desculpe eu estava nervosa.
- Hoje a noite Nina, você vai presenciar o que é ser como eu, ter um sonho que você deseja na alma que não aconteça. Você vai ver o que acontece comigo. Como eu me sinto em não ter controle sobre isso, através de um garoto de oito anos incapaz de fingir alguma coisa. Para você nunca mais duvidar que eu possa estar sendo um impostor.
Então ele colocou a mão apoiada no joelho de Bruno.
- E você Junior, quem sabe entende que o que acontecia comigo não era proposital, que eu desejasse isso no fundo, ou que eu pudesse parar com tudo quando bem entendesse.
- Vocês vão ver hoje, faz um ano que Caio tem a mesma visão todas às noites. Ele não pode parar com isso. Ele não consegue, não tem controle sobre os sonhos assim como eu.
- Mas você não disse Bernardo. Com o que o garoto sonha afinal?
- Ele sofre de síndrome de sonhos repetitivos. É causado pelo transtorno traumático que presenciou. Muita gente sofre disso, mas Caio tem uma questão a mais, ele viu tudo acontecer no momento que estava acontecendo, só que em sonho, assim como os meus. Ele tem o dom dos sonhos premonitivos.
- O que ele viu Bernardo?
- Seus pais e sua irmãzinha queimarem vivo, em um incêndio que ocorreu na favela.
Eu fiquei muda, só consegui me encostar-se ao fundo do sofá. E Bruno se desesperou:
- Ai cara! Que horror! Não brinca!
- É a verdade Bruno, o garoto sonhou, ou melhor, viu, com todos os detalhes, se estou certo ele pode até sentir o cheiro de tudo queimando.
- Mas como ele sobreviveu ao incêndio?
- Ele não estava dormindo no barraco aquele dia, estava na casa da avó, ele teve uma premonição simultânea. Como as que tive com você Nina.
Ficamos os dois naquele silencio sombrio tentando digerir o que tínhamos acabado de ouvir. Mas logo a porta se abriu e Caio entrou correndo para nos buscar pelas mãos e nos levar jantar.